Parece.

Parece que hoje eu aprumo, vou organizar as roupas do armário de acordo com as suas respectivas cores, gradativamente do claro ao escuro. Parece que vai chover, e eu acabei de colocar minhas meias no varal. Parece que hoje todo mundo resolveu desligar os telefones. Parece que algumas idéias me ocorrem, talvez eu vá até o cabeleireiro do outro lado da rua e peça para que ele faça um corte de cabelo daqueles bem excêntricos, ou quem sabe eu compre uma torradeira, acabei de me lembrar que nunca tive uma torradeira, mas sempre quis ter uma, só pra ver os pãezinhos saltarem eufóricos.

Parece que algumas vontades vêm à tona, quando não se tem nada para fazer,por exemplo, parece que eu estou com uma vontade incontrolável de tomar o café daquela cafeteria que fica na esquina do seu prédio. E quem sabe eu te convide, assim, por gentileza, ou num ato súbito de coragem.

Você aceitaria, e nós encerraríamos o dia com as nossas gargalhadas histéricas.

Mas parece que não, parece que vou ficar aqui, vou alugar uns DVDs e esperar, pois parece que já é noite, e é a noite que se tem tempo pra sonhar.

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Eis a questão.

A coisa de mais miserável que existe em um sujeito, é o ato de privar-se de si mesmo, de seus próprios sentimentos e de suas vontades. Isso não te faz mais forte, isso faz de você uma criança cheia de medos, escondida debaixo da cama rezando pra que você mesmo não se encontre.

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Que se fechem as cortinas.

É drama demais pra poucos capítulos, sobra palco e falta desenvoltura, é muita fala pra um personagem, é muita produção e pouco público, é muito ajuste e pouco tecido, muito balaio pra um gato só

É muito de mim e nada de você.

Tá na hora de sair de cena, tá na hora da princesa desencantar e demolir o castelo.

Com tudo dentro!

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Não cometa esta gafe!

Ah o silêncio! Ele com certeza preenche o vão das histórias inacabadas, para mim ele nunca é oportuno, é como temer a queda antes do passo. O silêncio não permite nem recusa, não prende nem desprende, não respeita. É a mais pura falta de educação, é o dizer pelo não dito.

É quando a moça não pinta os olhos, é quando todas as paredes do quarto ficam em tons de nude, são os milhares de rostos inexpressivos. Silêncios são para provas finais, salas de espera de hospitais, bibliotecas…

Pensar que depois dos convites trêmulos, das gargalhadas, do barulho que os seus sapatos faziam quando se aproximavam, e dos sussurros, restou aqui, apenas o som exaustivo dos pés batendo no chão e alguns tic-tacs.

No seja tão adepto dele, não cometa esta gafe!

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Um dia de Aurélia.

Aquele dia amanheceu diferente, tudo era igual, mas Aurélia estava diferente. Abriu os olhos sem pressa, era domingo. Passou dispersa pelo espelho, mas se deu conta da rapidez com que seu reflexo passara por ali, logo voltou. Seus cabelos viviam bem penteados, com a trança sempre rente á cabeça, confessou a si mesma que aquilo doía um bocado, e até pensou em soltá-las. Sua mãe dizia que as tranças eram pra que os cabelos não embaraçassem, mas em um instante, ela teve a solução do problema, e pensou: “Se embaraçar, depois eu desembaraço!”

Desfez gomo por gomo e depois sacudiu os cabelos, encarou o espelho, sorriu, e fez que sim com a cabeça.

Resolvido o impasse, ela decidiu ir até a cozinha, o que lhe custou nove passos contados. Sentou se a mesa e prestou atenção no semblante de todos que estavam ali.

Sentiu se feliz com a sensação que aquilo trazia. Viu que, quando se observa pessoas distraídas,é como se as conhecêssemos mais do que elas mesmas.

Ao tomar o café, a menina provou todas as cores e contemplou todos os sabores que lhe era oferecido, limpou os dedos na beirada do forro que cobria a mesa, e saiu.

Lá fora era mais fresco, havia acabado de chover e tudo ainda estava úmido, tirou os sapatos e gostou de sentir aquela terra prestes a ser aquecida pelo sol, assim, morninha por fora,e cada vez mais gelada,à medida que seus pés afundavam.

Aurélia respirou fundo, mirou para o norte e pôs-se a correr,cada centímetro era válido.

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Culpa.

O beijo todo permite, todo o corpo aceita, tudo então se ajeita, e por enquanto, a culpa é de ninguém. Tudo a mão explora, tudo o olhar consente,e a alma toda cede.Toda ela treme, ele tudo sente, e a culpa é de ninguém. Toda sorte se lança, a vertigem logo alcança, e no outro descansa.

Culpa?

Tudo se escoa,tudo se abotoa,todo cão que ladra demais,logo se enjoa.Toda porta bate.

E agora, a culpa é de quem?

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Por hora.

Não quero definições, ou qualquer coisa que caiba naquelas lacunas onde pedem o estado civil.Porque isso que eu sinto,é o suficiente pra saber que só preciso de uma historia com você, qualquer uma. Mesmo que restem apenas destroços e feridas, é uma marca que estou disposto a carregar.

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