A razão cinza.

Ele a beijou na testa com certo pesar, como se a testa fosse arrancar lhe os lábios. Não era medo ou receio, era pesar mesmo, como de alguém que se desculpa por estar fazendo algo, mas mesmo assim já estava feito.

Feito, e protocolado desde o instante anterior  em que os dois deitados olhavam para o teto.

Ora não se pode passar a vida inteira olhando tetos!Ela pensou…

Ela então perguntou sobre o amanhã ,e ele disse que não prometia o amanhã, porque não se promete o que não é, e o que não sabe se será, e não há como saber o que seria ,mesmo se assim quisesse que fosse.

Mas a menina vivia de ‘amanhãs’ e de ‘semanas que vem’ e de ‘anos que vem’ ou até de ‘vidas que vem’. Porque o presente, o presente é sempre muito chato monótono e decisivo demais!

E então o amanhã se fez presente o que já não tornam as coisas tão boas assim. Mas estava bem, estava. Estava ela em meio a cantoria com sotaque Francês que ela adora. Talvez ela tivesse um olhar muito parisiense,talvez ela gesticulasse muito ao falar,ou talvez a forma dela sorrir o entediasse,talvez o brilho do seus olhos o incomodasse,ou a mediocridade que ela tinha em dizer a ele que tudo ia ficar bem.

Menina tola, cheia de devaneios que ri da cara de tudo que é real, ri dos concretos e do contorno preciso das construções.

Talvez se ela falasse de números, se fosse mais objetiva ou sintetizasse melhor, quem sabe assim. Mas ela gostava assim mesmo. Achava engraçado o fato dele odiar tudo,e admirava a forma que ele expunha o que pensava.

Mal o amanhã se finda, e bem a profecia se cumpre. Nem teto, nem cama e muito menos os dois, era um nada que ecoava rua a baixo,e  um tudo parava peito a cima. Eram os olhos opacos e a voz de quem já desistia, era o amor que já na sustentava mais nada.

Amor que não sustenta nada? Não sei como isso acontece,e não me peçam pra saber ,mas se assim foi dito ,já não me interessa.

Era um cinza ,uma razão cinza,uma palidez cinza que tomava o rosto da garota.Era o deixar ,o deixar de uma cor que não haveria de existir mais!

Era um fim, um fim estreito cheio de razão e ‘adultices’.Mas era um fim,e uma pedra e depois era ela ,só ela.

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