Moça nenhuma.

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A moça perdeu a cor, a moça não queria, só queria mudar de tom

Mas não há nada que a tinja,só o que atinja,só o que aflija.

Não tem ciranda que roda, nem bordado no vestido

Nem moça que dança, nem moça que dança

Nem o vento balança o cabelo da moça

Mas tem uma janela,onde a moça espera ,espera, espera

E um realejo, que só faz realejar, dia e noite

Na boca da moça a sede, e no peito, a dor

E lá de fora o povo assiste a janela e a moça nela.

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junho 20, 2012 · 4:36 am

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Quero ser-te

 

Quero ser-te

 

Quero estar subentendida em seus bordões.

 

O meu bem não sabe que antes dele não houve nada, nem olhar que me ocupasse, nem mão que me alcançasse, nem beijo que me acordasse.

 

Me economize, ou me derrame,me recolha ou me disperse.Saiba que  quando adentra a porta nada mais importa,nem existe á tona que venha, nem venha que se tema.

 

Diz-me, ou não diz,me ‘dia’ ou me ‘noite’, me ‘sim’ ou me ‘não’ me teça ou desteça, me encontre numa terça, e vê se me para de pensar.

 

Quero ver-te

 

Conhecer-te

 

Quero filmes pela metade, uma roupa pra dormir, uma canção e uma janela.

 

Se eu dormi bem?

 

Só agora…

 

Vem me ser?

 

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A razão cinza.

Ele a beijou na testa com certo pesar, como se a testa fosse arrancar lhe os lábios. Não era medo ou receio, era pesar mesmo, como de alguém que se desculpa por estar fazendo algo, mas mesmo assim já estava feito.

Feito, e protocolado desde o instante anterior  em que os dois deitados olhavam para o teto.

Ora não se pode passar a vida inteira olhando tetos!Ela pensou…

Ela então perguntou sobre o amanhã ,e ele disse que não prometia o amanhã, porque não se promete o que não é, e o que não sabe se será, e não há como saber o que seria ,mesmo se assim quisesse que fosse.

Mas a menina vivia de ‘amanhãs’ e de ‘semanas que vem’ e de ‘anos que vem’ ou até de ‘vidas que vem’. Porque o presente, o presente é sempre muito chato monótono e decisivo demais!

E então o amanhã se fez presente o que já não tornam as coisas tão boas assim. Mas estava bem, estava. Estava ela em meio a cantoria com sotaque Francês que ela adora. Talvez ela tivesse um olhar muito parisiense,talvez ela gesticulasse muito ao falar,ou talvez a forma dela sorrir o entediasse,talvez o brilho do seus olhos o incomodasse,ou a mediocridade que ela tinha em dizer a ele que tudo ia ficar bem.

Menina tola, cheia de devaneios que ri da cara de tudo que é real, ri dos concretos e do contorno preciso das construções.

Talvez se ela falasse de números, se fosse mais objetiva ou sintetizasse melhor, quem sabe assim. Mas ela gostava assim mesmo. Achava engraçado o fato dele odiar tudo,e admirava a forma que ele expunha o que pensava.

Mal o amanhã se finda, e bem a profecia se cumpre. Nem teto, nem cama e muito menos os dois, era um nada que ecoava rua a baixo,e  um tudo parava peito a cima. Eram os olhos opacos e a voz de quem já desistia, era o amor que já na sustentava mais nada.

Amor que não sustenta nada? Não sei como isso acontece,e não me peçam pra saber ,mas se assim foi dito ,já não me interessa.

Era um cinza ,uma razão cinza,uma palidez cinza que tomava o rosto da garota.Era o deixar ,o deixar de uma cor que não haveria de existir mais!

Era um fim, um fim estreito cheio de razão e ‘adultices’.Mas era um fim,e uma pedra e depois era ela ,só ela.

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Ainda assim.

 

A gente mal se conhece, a gente nem se poupa, a gente só se dá importância quando alguém nos atribui alguma. A gente adora comprar relógios,e  se irrita com os filhos correndo em volta da mesa de jantar. A gente procura vagas e adoramos uma carga horária. Colocamos-nos contra todos .Independente do contexto, independente se os “todos” tem família , se são homens de bem,ou se vão as missas aos domingos.E quando quase desistimos , percebemos o vizinho mancueba  cujo a catarata já lhe toma as vistas .

Veja a simplicidade e a pressa na qual suas mãos percorrem a borda da janela ,na expectativa de sentir o sol tocar lhe o rosto.Por um momento  somos tomados por uma sensação revigorante, extraída  do infortúnio do pobre homem.Tão cruel pode ser a gratidão.

Trocam –se os instintos pela previsibilidade e mesmo assim,não se enxerga um ao outro.As coisas chegam a ser cômicas de tão obvias,e as tragédias insistem em seguir  o mesmo roteiro.

O mais difícil é entender a calmaria que não faz jus ao tornado que vez em quando causas em mim.E descobrir que meu silencio não significa nada, e muito menos o que sai de minha boca.

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Mas…

Há quem diga que não se encante e também quem chore seco. Existem aqueles que habitam nos arredores da própria casa, afundando a cara nos lençóis e travesseiros impregnados de si, dispersando-se, entrelaçando nas próprias pernas.

Há também aqueles que dizem não mais ir, não mais ficar, tampouco ceder.

Os que cerram os olhos ao dormir e o peito ao sair, os que  orgulham se de nada,e há quem barganhe.

Há também aqueles que sentam  se a mesa e pedem pela combinação balde mais água fria.

Mas existem aqueles que amam.

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É aí que tudo se explica.

É aí que tudo se explica, é aí que você descobre que tudo que precisava era de   capucchinos ao meio dia e beijinhos tímidos nos olhos.

É aqui que tudo se completa, não é lá nem acolá.

É agora!Não foi antes, nem em outra ocasião.

É quando todos os clichês, e as caras abobadas desses amantes incuráveis fazem sentido. É quando você agradece os que não ficaram,e nem faz conta dos que estão a sua volta.

Não é tormenta nem desordem, não é nada do que conheço, e já era tempo de não ser.

É a resposta que se faz, muito antes das perguntas, são as palavras que retornam sem ao menos saírem pela boca.

É o colchão estirado na sala, e as risadas preguiçosas sob a luz da televisão.

É você, e só.

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bjork – bachelorette

Respeitável!

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